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terça-feira, 28 de junho de 2011

Ando muito ocupada ultimamente, mesmo quando não faço nada, ando ocupada. Estou sempre desligada de tudo, a todo o momento tento fugir da realidade, procuro coisas que possam me distrair, fatos, cores, livros, sabores, pessoas... Coisas que me façam mudar de um mundo real para o meu próprio mundo. O que mais gosto de fazer é fugir de mim para tentar me encontrar nos outros, olho as pessoas com uma vontade que tenho até medo de elas acharem que estou querendo alguma coisa ruim, hoje em dia a maioria pensa que se tem alguém te olhando, no mínimo, te achou feio. Mas eu não, olho tudo, os homens, as mulheres, os olhos, os cabelos, o nariz, a bunda, o peito, a barriga, o braço, a coxa, as joias e bijuterias, o sorriso, o andar, o ar de sério, ou preocupado, ou atrasado, ou triste, olho a roupa, nossa, por aí vai... Analiso cada detalhe e me imagino com aquele poder de tocar nas pessoas e saber de toda sua história, mas não para matar minha curiosidade maníaca, porque eu não sou uma curiosa maníaca, mas sim para poder conhecer mais as pessoas, conhecer nos outros o que desconheço em mim. Queria poder saber por que o cobrador do ônibus dormiu sem querer na semana passada, queria poder entender por que tem gente que não pede licença quando se senta ao meu lado ou então por que tem uns que, de tão felizes, saem sorrindo para qualquer pessoa que passa. Queria entender o coração, poder dizer que conheço várias formas de amor. Me perco no meu mundo apenas imaginando, olho para uma garotinha nova, linda, sorridente, conversando com sua mãe, talvez, imagino todo seu futuro cheio de coisas boas e penso que seria tão bom se tudo o que eu visse nos outros se tornasse verdade. Nunca fui muito humana, eu prestava atenção em outras coisas, mas notei o ser humano e me notei, comecei a amar o mundo e me amei. Vejo nas pessoas, tão completamente parecidas comigo, um longo caminho entre mim, uma fuga onde jamais vou me encontrar. De todos esses dons que vemos e que inventamos por causa de filmes, minisséries, novelas e seja lá o que for, só queria que Deus tivesse me dado o dom do entendimento. Decifrar, traduzir pessoas é meu maior desejo, mas não fico brava com Deus não porque sei que esse dom, além dele, ninguém mais tem. [Gabriella Louise]

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