Queridos visitantes

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Uma das melhores coisas do mundo é ficar sozinho. Você, no seu canto, ouvindo suas músicas preferidas no volume que quiser. Você, com a casa arrumada ou bagunçada. Você, com uma roupa linda ou vestida de mendiga. Você, de salto alto ou pé no chão. Tanto faz, o importante é estar com você. Tem gente que precisa estar sempre colada em alguém. Pode ser marido, pode ser amigo, pode ser irmão. Tem gente que quando está só precisa desesperadamente ligar para alguma pessoa. Outros já arquitetam o que vão fazer depois. A gente pode e deve viver momentos incríveis com a gente mesmo. Ler um livro, assistir filmes melosos, depilar a perna, pedir comida chinesa e comer em cima da cama, ouvir música, arrumar as gavetas, tomar uma garrafa inteirinha de vinho, organizar os documentos, fazer meditação, tirar ponta dupla do cabelo, fazer a unha, passar máscara de pepino, tomar banho de espuma, cantar bem alto, passar o dia deitada pensando em nada, estudar, tocar violão, pintar, trocar a decoração da casa inteirinha. Tem coisa melhor? Hoje em dia percebo que as pessoas não gostam muito de viver sem alguém. Desesperadas, não conseguem ficar com o próprio umbigo. Com os próprios fantasmas. Com as próprias neuras. Atualmente, nem com o outro você consegue ficar. Quer ver? Você sai com o namorado para jantar, vocês sentam lado a lado e dali a 5 minutos ele está no iPhone dele e você no seu. Você sai com uma amiga para um happy hour e dali a 4 minutos você está postando alguma foto do encontrinho feliz no seu Facebook. Você sai com 2 amigas para bater um papo e dali a 6 minutos estão ligando para outras amigas para convidá-las para o festerê. Ninguém se basta. Ninguém é suficiente. É preciso sempre mais, mais, mais. As pessoas andam com fome. De afeto. Insaciáveis, querem tudo e todos. Exibicionistas, querem mostrar sua felicidade. Olha como nosso encontro é feliz, olha como tenho amigos, olha como a gente se diverte horrores, olha, olha, olha. No mundo de Twitter e Facebook, as pessoas precisam mostrar. Não basta você viver o momento, você precisa mostrar para todo mundo. Você viaja para a Indonésia e não solta o iPhone, precisa tuitar o tempo todo. Seu marido lhe dá flores e não basta você mandar uma mensagem no celular dele, ligar ou escrever um bilhete, precisa colocar bem grande nas redes sociais lindo-te-amo-você-é-tudo-obrigada-pelas-flores-obrigada-pelo-amor-obrigada-pelo-ar-que-eu-respiro. Adoro fotos, mas quando viajo me contenho. Estou ali para ver, sentir, aproveitar os momentos. Não estou ali para fotografar e deixar registros. Eles são importantes, sim. Mas muito mais importante que uma foto é viver o momento com toda a intensidade que ele merece.'' Clarissa Corrêa

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