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segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Na verdade eu quero escrever, mas não queria. Escrever me faz pensar e pensar me faz temer. No primeiro dia da real palavra esmagadora que é perda as duas outras únicas palavras em que consegui pensar foram: perder e desistir. Olho o meu pior pesadelo bem dentro dos olhos e a sensação é horrível. Os meus dias voltam a ser monótonos e pesados. O sono baixa denso em cima de mim e ás sete horas da noite preciso me arrastar da cama, tomar um banho de água gelada enquanto digo pra mim mesma: acorda! Acorda que não tem mais ninguém pra fazer seu dia menos entediante e solitário, pra segurar a rotina baixando a mil sobre a sua cabeça de ovo de codorna. Acorda que não tem mais ninguém pra esperar e nem lugar seguro pra se desesperar. Não tem ninguém pra apertar um botão que faz você parar de chorar então não chora, porque chorar cansa, faz nariz escorrer e boca inchar e dá muita dor de cabeça. Saio, me arrasto. O sono me persegue pelos vãos, o frio se infiltra. Penso em correr: tem pra onde? Não. "Um amigo me pediu pra cuidar da dor dele, guardei a minha no bolso. E fui". Nessas horas sempre me parece estar todo mundo tão, mas tão fodido, que estufo meu peito e faço a cara de feliz maior que posso: vamo que vamo, é o Brasil, é o Trabalho de Conclusão, é a minha irmã me chamando pra ir, é um motivo qualquer pra me empurrar arrastando. Revirando meu lixo, lambendo as feridas até encontrar um pedaço de coisa qualquer pra me agarrar e ir continuando até Deus sabe onde eu vá parar.

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