Queridos visitantes

sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Quando foi a última vez que você tomou banho de chuva sem se preocupar com o celular no bolso, os cartões do banco, a chapinha, o sapato que não pode molhar? Olha, eu acho mesmo é que falta coragem. E tempo. Tempo de olhar em volta e coragem de bater de frente. As pessoas têm que se permitir. Aprender o atraso, o olhar em volta. Mudar o caminho de todos os dias e se perder no seu próprio bairro. É o que tenho feito, me perder. E devo dizer que estou muito feliz por não encontrar o caminho de volta." (Verônica H)

"Caí em meu patético período de desligamento. Muitas vezes, diante de seres humanos bons e maus igualmente, meus sentidos simplesmente se desligam, se cansam, eu desisto. Sou educado. Balanço a cabeça. Finjo entender, porque não quero magoar ninguém. Este é o único ponto fraco que tem me levado à maioria das encrencas. Tentando ser bom com os outros, muitas vezes tenho a alma reduzida a uma espécie de pasta espiritual. Deixa pra lá. Meu cérebro se tranca. Eu escuto. Eu respondo. E eles são broncos demais para perceber que não estou mais ali."

domingo, 24 de novembro de 2013

''Procuramos instintivamente, todos os dias, do nascer ao pôr do sol, por aquilo que nem sabemos direito o que é. Nos ensinam em casa, na escola, nas aulas de educação física, química, nas aulas da vida, que devemos viver em busca da felicidade, mesmo sem saber direito que rosto ela tem, por que nome atende, se fica depois do arco-íris ou se mora embaixo da cama junto com o bicho-papão. Enfiam nas nossas goelas abaixo, por todas vinte e quatro eternas horas dos dias, desejos e sonhos de consumo, amores perfeitos, vidas como contos de fada e músicas para enganar o estômago. Sempre jeitos novos de dizer a mesma coisa: busque a felicidade. Talvez fosse muito mais fácil viver com o texto todo ensaiado, sabendo direitinho o que dizer, onde estar, com quem, como, quando e por que. Uma vida roteirizada, uma trama bem feita, bem escrita, com uma trilha sonora incrível. Sabendo que choraríamos quando fosse preciso emoção, e sorriríamos escancaradamente quando as dores passassem. Uma vida novela das oito, que começa as nove, e dura Deus sabe lá quanto tempo. Se a vida fosse programada, já nasceríamos sabendo quem amar, se viveríamos sempre na mesma cidade, se teríamos filhos, se nosso primeiro beijo seria aos 15, 16, 17, 35, ou até mais cedo. Saberíamos também que o primeiro amor partiria nosso coração em mil pedaços, e os demais transformariam ele até o final das nossas vidas numa partícula ainda menor que o átomo. Desconfio que a melhor parte da vida de uma pessoa, são as surpresas que aparecem no caminho. Um olhar, um gesto, um sorriso novo. Coisas pequenas que atravessam os nossos destinos todos os dias, para dizer que nossa vida pode seguir por um caminho diferente. Alguma coisa que mostre que ir em frente é uma obrigação pessoal e intransferível. Suponho quase que intimamente, que todas as dificuldades que a vida nos impõe são só provas de resistência, testes e ensinamentos para que possamos lidar bem com a gente mesmo e com tudo de melhor que ela nos preparou. Nesse processo de transformação diária, a maior luta que podemos travar é pra tentar assimilar as imposições do destino e, de alguma forma, manter a alma pura, limpa, ou algo que se aproxime muito da nossa essência. Coisa que volta e meia pensamos em deixar de lado para conseguir (sobre)viver. Então, meu amigo, confesso que tenho tentado nos dias que se seguem, fazer de tudo para me tornar melhor e mais feliz do que sou, mesmo sem saber direito o que isso significa. Tenho entendido que procuro instintivamente, todos os dias, do nascer ao pôr do sol, por aquilo que nem sei direito o que é, mas que com certeza irei encontrar. Ai de mim se não fossem as minhas insatisfações e nós na garganta. Ai de mim se não existissem noites mal dormidas, angústias e sonhos. Uma vida hermeticamente perfeita não me traria os desafios que preciso para evoluir, para crescer. Para me tornar o que eu sempre sonhei em ser. Quanto à felicidade, essa que não me ensinaram a buscar e me tornaram por missão encontrar, avisa que posso demorar um pouco, mas vou chegar. Pede já pra esperar com a mesa posta e algo pra beber. Estou indo com fome e sede ao pote. Quero me fartar de tudo que ela possa me oferecer. Você, se estiver disposto a longas jornadas, pode até me acompanhar. Se não, a gente se vê quando eu chegar.'' (Matheus Rocha)
"Tem um oceano desaguando em mim e tudo que eu queria era calmaria, maré mansa. Tenho atravessado os dias pedindo calma, rezando paciência. Tenho tentando conter ansiedades, reter expectativas, fazendo o que for de meu alcance para que os dias sejam mais leves, para que meus ombros não doam tanto e para que o sono não seja apenas fuga da realidade."

(Matheus Rocha)
"Todos os dias o despertador me acorda no mesmo horário, todos os dias pulo da cama tentando me lembrar de pisar primeiro com o pé direito. Todos os dias levo o mesmo tempo me olhando no espelho, tentando me convencer de que será um dia melhor do que a noite anterior. Todos os dias passo o mesmo tempo embaixo do chuveiro, gasto os mesmos minutos escolhendo uma roupa fresca para os dias de sol, um agasalho para os dias chuvosos, uma incógnita para os dias que começam frios, e antes do fim, já estão mais quentes do que o céu nublado me contou. Ai de quem não acrescente doses generosas de fantasia nessa tal de vida real. Às vezes, é difícil levantar da cama e se dar conta de que é preciso enfrentar mais um dia inteiro antes de poder cair novamente em seus braços macios. A rotina esmaga os dias. A sensação térmica é de que, às vezes, os dias duram mais que apenas vinte e quatro horas. É mais tempo do que seria preciso para suportar o mesmo cotidiano, os mesmos rostos, e dias em que até o nosso próprio já soa batido, abatido, repetido. Sorriso amarelo. Todos os dias faço os mesmos caminhos, passo pelas mesmas casas e sinais vermelhos. Todos os dias atravesso as mesmas portas dando bom dia, boa tarde, boa noite, mesmo torcendo para dizer que, ei, meu dia foi uma merda graças a você. Ou para agradecer por ter transformado significantemente minha neblina em gargalhadas. Todos os dias acordo com a mesma vontade de mudar e seguir por um caminho diferente, fora do comum. Todos os dias acordo angustiado pelas respostas que deveria ter dado, pelas promessas que ainda não cumpri, e pela noite de sono mal dormida que me causei ou deixei causar. Todos os dias prometo que vou dormir mais cedo, beber mais água, me alimentar na hora certa, pensar menos antes de agir, ponderar mais antes de gritar. Todos os dias espero a próxima segunda-feira para colocar em prática os meus planos mirabolantes de dominar o mundo ou simplesmente começar pelo meu. Todos os dias invento uma desculpa nova para não me deixar desistir. Todos os dias requento um sonho qualquer ou uma palavra bonita para não para não me deixar esmorecer. Entristecer. Empobrecer. Abater. Todos os dias a minha rotina é uma infinita conversa comigo mesmo para tentar entender que a minha sina quem desatina sou eu. Todos os dias a minha rotina é uma infinita briga comigo mesmo pra tentar entender que tudo isso aqui, meu amigo, só depende d’eu. A rotina esmaga os dias. Mas antes de ser comprimido pelo caos da repetição, eu coloco uma música nova ou a minha favorita, lavo o cabelo ou sacudo a cabeça, faço uma oração e parto. Talvez alguma coisa aconteça de diferente hoje para compensar o dia de ontem. Ou simplesmente me prometo uma coisa: só por hoje não vou me deixar entristecer. Só por hoje, vou ser feliz pra sempre. E parto." (Matheus Rocha)



Simplesmente, odeio essa parte de mim que te procura sempre que algo dói.
It’s a Metaphor, Hazel.
As festas me deixavam doente. Detestava as falsas aparências, os jogos sujos, os namoricos, os bêbados amadores e os chatos. Como solitário, eu não suportava invasões. Isto não tinha nada a ver com ciúmes, simplesmente não gostava de pessoas, multidões, onde quer que fosse, exceto nas minhas leituras. As pessoas diminuíam-me e deixavam-me sem ar.
Bukowski


sexta-feira, 22 de novembro de 2013

"O fato de o mar estar calmo na superfície não significa que algo não esteja acontecendo 

nas profundezas" - O Mundo de Sofia


''(...) Será que o erro não está aí dentro? Será que não é a hora certa de rever atitudes, pensamentos e conceitos? Será que não estamos querendo um mundo ideal e por vezes esquecemos que muitas coisas estão, sim, em nossas mãos e que outras tantas não dependem de nós? Será que esquecemos que, sendo seres imperfeitos, não podemos cobrar a perfeição dos outros? Será que não queremos frios na barriga diários, fogos de artifício e trilhas sonoras para momentos simples? Será que não estamos cegos?

Coisas boas acontecem todos os dias, é só abrir os olhos e o coração para a infinidade de pequenas alegrias. Não adianta buscar emoção, sonho e fantasia se você não sabe fazer um momento aparentemente simples virar especial. Tudo está dentro de nós e eu te garanto que isso não é papo para boi dormir. Não espere grandes acontecimentos, aprecie tudo que a vida oferece com um sorriso no rosto. Não espere uma cena de filme, faça e viva a sua vida da forma que puder e souber. Mas entenda que os melhores momentos acontecem quando estamos distraídos pensando que a vida do outro é bem mais interessante que a nossa.

(Clarissa C.)

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Percebo o mundo em minha volta girar com uma velocidade descompassada. Noto as reações diversas e mudanças notáveis em tudo que está girando junto com o mundo, com a volta, e com as re-voltas que ele dá. (...) Noto a vida com toda a sua efervescência acontecer em minha volta. Acontece com todas as pessoas essas reviravoltas mundanas de coisas indescritíveis... Mas me vejo ali. Olha, ali no meio dessa roda viva inconsequente. Com medo, com angústia e sem saber para onde correr caso o carrossel gigante passe por cima de tudo. Estou ali, vendo a vida passar nua e crua. Com toda sua verdade e mentira. Com todas as suas delícias e indelicadezas. Com todo seu prazer e tortura. Com toda sua fidelidade transtornada e sonhos inúteis. Com todas suas lembranças e acasos... Passo a ver a vida de fora, como se eu não fizesse parte desse novelo e queira me desenrolar disso tudo o mais breve possível. Começo a sentir que essa roda furiosa passa tão rápido, que ao nos darmos conta, já estamos lambuzados dela. Já estamos transtornados de tanta falta de paz que ela nos dá. A vida enlouquecida vai, vai com todo seu ímpeto. Constrói, destrói, nasce, mata, vive, morre, felicita, entristece! A vida, o carrossel gigante que gostamos de brincar. Gostamos do perigo que esse carrossel que se mostra tão inofensivo pode conter! É, é isso. Eu estou aqui, lendo, olhando e escrevendo... A roda gira. O carrossel canta. E a vida passa.






Não necessariamente...



Chegando em casa, tiro os sapatos como quem arranca de si um peso quase insuportável. Tudo que eu quero é cama. Mas aí lembro que a minha já não tem a mesma graça. Alguns dias (nunca o suficiente) em sua companhia, são suficientes pra eu esquecer como é dormir sozinha. Deitada, tiro, com o que resta das minhas energias, a calça jeans apertada e todo o resto. Penso em você com tanta força que é quase como se sua presença fosse sentida. De fato, é. Já que, pelas roupas no chão, seu cheiro me entra pelo nariz, boca e olhos, me fazendo sorrir. Uma saudade irracional de você.  Aghata Paredes