Queridos visitantes

sexta-feira, 25 de abril de 2014

Às vezes, insatisfeitos, nos perguntamos por qual motivo determinada coisa acontece. Nos achamos incompreendidos, injustiçados e enclausurados dentro de um porão sem saída, ar ou luz. Tudo parece pequeno, apertado, vazio, feio, sem sabor. 

A frase "vai passar" entra por um ouvido e sai pelo outro. Como assim, vai passar? O que você sabe de mim? Por que se acha no direito de dizer essas duas palavrinhas frias e que não fazem sentido? Por que você gosta de falar só por falar? É muito fácil analisar uma situação estando do lado de fora dela. É muito simples usar frases feitas para manifestar alguma solidariedade. Mas nós sabemos que os outros estão preocupados com os seus próprios problemas. Ninguém verdadeiramente se empenha em resolver as suas pendências emocionais. E não adianta culpar o mundo ou colocar responsabilidades que são somente suas nas costas de outrem. A verdade é que existe o que é só seu, existe o que é seu e do outro e o que é única e exclusivamente dele. Nada disso se mistura.

Você já deve ter ouvido falar que cada um tem a sua cruz. Não podemos encarar tudo como um fardo, como se viver fosse uma sucessão de acontecimentos ruins. A vida é uma oportunidade incrível que temos de aprendizado, de reparação, de recomeço, de transformação, de evolução. É preciso aproveitar cada segundo para subir os degraus necessários. Muitas vezes somos obrigados a dar alguns passos para trás para logo mais andar para frente. Mas é preciso entender que cada um tem que estar ciente de suas responsabilidades, de seus deveres e obrigações, afinal, cada ser humano é que faz o seu próprio caminho.

Por Clarissa Corrêa

O meu amor (que é teu)

"Você sempre foi o que eu tive de mais secreto em mim. Aquela lágrima de saudade que ninguém nunca descobriu, aquele impulso pra ir em frente que ninguém nunca entendeu. E assim, mesmo de tão longe, você consegue estar tão aqui. Tão dentro de mim, tão nas entrelinhas do que eu vivo, tão nas noites que eu não durmo. Eu te amo tanto, que eu mantenho a distância segura que nos separa e te dá paz. Amo tanto, que já me acostumei com a ideia de que estar longe te faz bem e sofro sozinha com todo esse amor espremendo meu peito contra uma realidade fria e sem graça, longe do teu calor e do teu sorriso. O meu amor é instável a ponto de sumir quando eu vejo Closer, mas é intenso a ponto de não acreditar que o amor como eu sonhei é só um sonho. Meu amor é tão burro, tão imbecil, que ele acredita que agora pode dar certo, que agora seremos felizes, que agora tudo na minha vida vai mudar. O meu amor é teu, tão teu que não se importa com a felicidade do teu sorriso longe, desde que ele se mantenha sorriso. O meu amor é uma mistura de passado e futuro. É uma falta de presente que angustia e amedronta, mas anestesia. E eu vivo inerte sentindo tanto (tanto) amor, que eu viro pro lado, coloco a mão na minha cintura como você fazia, imagino seu rosto e durmo. E isso basta. Meu amor é tão humilde, tão singelo, que ele continua sendo amor só por saber que você existiu um dia. Ele não quer a sua presença, não exige seu carinho, não lamenta pela sua perda. O meu amor é a fé que eu deposito todos os dias em alguma coisa que possa tirar todo esse peso e essa dor de mim. É aquele sentimento de crença meio burro, que faz de mim uma metade de amor. Meu amor é aquele que um dia fez de você o primeiro, que te transformou em último e que me fez parar de acreditar. E eu parei, porque eu te amava tanto, que eu não sabia o que fazer com esse amor e acabava te odiando. Meu amor me dá tanto medo, que eu te rebaixo. Eu fico tentando pensar nos defeitos que você tinha, naquele dia que você não foi atrás de mim e eu olhei pra trás a cada passo que eu dei. Eu tranco a porta do quarto, ouço Paralamas no último volume e choro. Choro porque nós ouvíamos Paralamas e porque eu imagino que quando a música acabar e as minhas lágrimas secarem um pouco de todo esse amor vai embora. Os meus olhos incham, meu amor também e ele nunca vai. Meu amor é o que me faz sentir uma sede que nem mil litros de água abrandariam, é o que me faz perder o apetite de comida porque a minha fome de amor é ainda maior. Meu amor é a grande quantidade de vírgulas nos meus textos, porque a tua objetividade me dá calafrios. É a lembrança da vista da sua janela e da sua visão do mundo, é uma saudade doída da sua ajuda para fazer cálculos e para tomar decisões. O meu amor é a própria falta de decisão. Meu amor é a possessão incrível que me faz manter tanto amor em silêncio. É o absoluto egoísmo e a mais extrema doação. Eu tenho tanto medo de perder o meu amor, que eu já não consigo respirar direito por medo de sufocar um pouco que seja desse sentimento. Meu amor é invisível, é particular. Não consigo dar nem um pouco dele a qualquer um, porque ele é só teu. Mas eu também não quero dar ele a você, porque nem você saberia o que fazer com tanto. Meu amor é a vontade de gritar no seu ouvido que eu existo, é a vontade de abrir a caixa vermelha com as suas lembranças, é a vontade de te ligar e te propor uma fuga. O meu amor é o medo que eu tenho de acordar, e a vontade que eu tenho de acordar pra ver se você me vê. O meu amor é o meu paradoxo, é a minha música, é a minha poesia. O meu amor é o que eu sinto de mais forte, é o que eu tenho de mais verdadeiro. Meu amor é aquele que eu escondo, que eu fujo, que eu desencontro. É aquele que me sufoca tanto que eu perco o medo, a vergonha, a compulsão. É aquele que me faz perder o rumo e que me faz voltar sempre pra você. É aquele que não deveria ser escrito nunca, mas que não consegue mais calar. É aquele que morre e renasce todos os dias, cada vez mais forte, cada vez mais meu. Cada vez mais teu amor."

Por Marina Melz (Blog Entenda os Homens - EOH)

quinta-feira, 24 de abril de 2014

Na Noite Terrível - Álvaro de Campos (Heterónimo de Fernando Pessoa)

Na noite terrível, substância natural de todas as noites, 
Na noite de insônia, substância natural de todas as minhas noites, 
Relembro, velando em modorra incômoda, 
Relembro o que fiz e o que podia ter feito na vida. 
Relembro, e uma angústia 
Espalha-se por mim todo como um frio do corpo ou um medo. 
O irreparável do meu passado — esse é que é o cadáver! 
Todos os outros cadáveres pode ser que sejam ilusão. 
Todos os mortos pode ser que sejam vivos noutra parte. 
Todos os meus próprios momentos passados pode ser que existam algures, 
Na ilusão do espaço e do tempo, 
Na falsidade do decorrer. 

Mas o que eu não fui, o que eu não fiz, o que nem sequer sonhei; 
O que só agora vejo que deveria ter feito, 
O que só agora claramente vejo que deveria ter sido — 
Isso é que é morto para além de todos os Deuses, 
Isso — e foi afinal o melhor de mim — é que nem os Deuses fazem viver ... 

Se em certa altura 
Tivesse voltado para a esquerda em vez de para a direita; 
Se em certo momento 
Tivesse dito sim em vez de não, ou não em vez de sim; 
Se em certa conversa 
Tivesse tido as frases que só agora, no meio-sono, elaboro — 
Se tudo isso tivesse sido assim, 
Seria outro hoje, e talvez o universo inteiro 
Seria insensivelmente levado a ser outro também. 

Mas não virei para o lado irreparavelmente perdido, 
Não virei nem pensei em virar, e só agora o percebo; 
Mas não disse não ou não disse sim, e só agora vejo o que não disse; 
Mas as frases que faltou dizer nesse momento surgem-me todas, 
Claras, inevitáveis, naturais, 
A conversa fechada concludentemente, 
A matéria toda resolvida... 
Mas só agora o que nunca foi, nem será para trás, me dói. 

O que falhei deveras não tem esperança nenhuma 
Em sistema metafísico nenhum. 
Pode ser que para outro mundo eu possa levar o que sonhei, 
Mas poderei eu levar para outro mundo o que me esqueci de sonhar? 
Esses sim, os sonhos por haver, é que são o cadáver. 
Enterro-o no meu coração para sempre, para todo o tempo, para todos os universos, 

Nesta noite em que não durmo, e o sossego me cerca 
Como uma verdade de que não partilho, 
E lá fora o luar, como a esperança que não tenho, é invisível p'ra mim. 

quarta-feira, 23 de abril de 2014

''Por fora eu era tudo o que uma garota bem educada deveria ser. Mas por dentro eu estava gritando.'' (Titanic - Rose)
''Vivi minha vida toda como se já a tivesse vivido! Um desfile infindável de festas, bailes, artes e jogos de pólo! Sempre as mesmas pessoas vazias, a mesma conversa sem conteúdo, eu me sentia como se estivesse diante de um grande precipício, com ninguém para me puxar dele, ninguém que ligasse, nem que ao menos notasse.'' (Titanic - Rose)

Amadurecer é: descer do salto

"Dia desses, olhando fotos antigas e a minha velha pasta de músicas de cinco anos atrás, percebi o quanto eu cresci – é que o amadurecimento tem dessas, é mensurável pelas coisas mais simples. Reparei no meu cabelo escovado no porta-retratos. No salto alto e na cara de sofrimento, provavelmente pelas dezenas de calos nos meus pobres pezinhos. [...] Quais eram, afinal, essas grades invisíveis que me aprisionavam? Que força horrenda mantinha meus pés dolorosamente equilibrados naqueles saltos 15? Pra quem eu precisava provar que eu era esguia, comportada e tinha absoluto autocontrole? Na verdade, eu não pensava sobre isso na época – e, mesmo se pensasse, provavelmente eu não encontraria essas respostas. Mas, depois de muitos calos, eu as encontrei: É que chegamos a uma fase da vida em que não precisamos provar nada pra ninguém. É quando a gente escolhe, constantemente, as sapatilhas. É quando a gente se joga de cabeça sem medo de sair descabelada. É quando a gente não tem medo de perder, por que a gente entende que não há o que ser perdido. Não há nada em jogo além da felicidade. E como ser feliz quando não se é livre? É claro que o salto alto é bem-vindo, porque, convenhamos, nos deixa absolutamente sexys como num passe de mágica. Mas, entre estar confortável e impressionar alguém, a gente não pode mais titubear na resposta. É preciso optar por si mesmo. A gente olha pros lados e não procura um olhar de desejo ou de despeito – a gente procura  um novo amigo, um novo livro, um novo lugar, uma nova música… A gente entende que o que os outros pensam ao nosso respeito não nos diz respeito. E a gente entende, sobretudo, quanta beleza há em estar confortável. Na cara lavada, nos pés no chão, nas roupas menos justas (e não menos sexys), no corpo de quem se cuida sem esquecer – nem por um segundo – de ser feliz. E que o que importa nessa vida é cuidar da gente e de quem cuida da gente. Que dá pra sair sem protetor solar de vez em quando. Dá pra assumir  o cabelo natural. Dá pra usar chinelo de dedo. Dá. [...] Dá pra viver, reviver, começar tudo de novo. Dá pra amar, dá pra sonhar. Dá pra ser feliz."

domingo, 20 de abril de 2014

Querer se mostrar a todo momento, tratar os outros com arrogância desnecessária, essas coisas. Creio que as pessoas mais sábias e inteligentes são as mais humildes, são as que percebem que o conhecimento que possuem é apenas uma gota num oceano.
Por enquanto estou inventando a tua presença, como um dia também não saberei me arriscar a morrer sozinha, morrer é do maior risco, não saberei passar para a morte e pôr o primeiro pé na primeira ausência de mim - também nessa hora última e tão primeira inventarei a tua presença desconhecida e contigo começarei a morrer até poder aprender sozinha a não existir, e então eu te libertarei. Por enquanto eu te prendo, e tua vida desconhecida e quente está sendo a minha única íntima organização, eu que sem a tua mão me sentiria agora solta no tamanho enorme que descobri.

Clarice Lispector
Quem disse que esta no meio de muita gente é garantia de ter alguém? Cada vez mais me convenço, talvez você também de que são poucas as pessoas que a vida nos deixa a vontade pra a gente ser o que realmente é, são poucas as pessoas que diminuem e cessam a nossa solidão, por que a solidão so vai embora quando o coração consegue ser o que realmente ele é, sem precisar mentir, sem precisar inventar, sem precisar usar máscaras.

Pe Fábio de Melo

quinta-feira, 17 de abril de 2014


“Quando matamos uma pessoa de dentro de nós, é preciso viver todo o ritual da perda: depois da morte, a tristeza, as lágrimas, o luto, o vazio, até que o tempo a transforme apenas numa inscrição em pedra e compreendamos que quem morreu foi ela; não nós.” 

Fred Medeiros.  


“Ainda pior que a convicção do não, é a incerteza do talvez, é a desilusão de um quase. É o quase que me incomoda, que me entristece, que me mata, trazendo tudo que poderia ter sido e não foi. Quem quase ganhou ainda joga, quem quase passou ainda estuda, quem quase amou não amou. Basta pensar nas oportunidades que escaparam pelos dedos, nas chances que se perdem por medo, nas ideias que nunca sairão do papel, por essa maldita mania de viver no outono.”

Luís Fernando Veríssimo. 
“Tenho cabeça, coração e me respeito. Acredito em sonhos, não em utopia. Mas quando sonho, sonho alto. Estou aqui é pra viver, cair, aprender, levantar e seguir em frente. Sou isso hoje, amanhã já me reinventei. Sou complexa, sou mistura. Me perco, me procuro e me acho. E quando necessário, enlouqueço e deixo rolar. Não me doo pela metade, não sou tua meio amiga nem teu quase amor. Ou sou tudo ou sou nada. Não suporto meio termos.” — Clarice Lispector   

quarta-feira, 16 de abril de 2014

Seja como for, ou como você queira. Saiba que, mesmo dessa minha forma errada sentirei saudades tua. Normalmente eu não encontro alguém assim como você, tão fácil de me adaptar. Por isso ultimamente tenho me entregado a mim mesmo com tanta frequência, deixo um vácuo de ausência na minha vida social e resolvo reencontrar-me. E nessas horas que eu preciso de alguém que segure minha mão, que me ajudei a me levantar e tenha a coragem de dizer “o mundo esta melhor aqui fora, saia um pouco dentro de si e veja como o dia está realmente incrível”.

Wilkeer Souza.  

domingo, 13 de abril de 2014

sábado, 12 de abril de 2014

Tem gente que só fica feliz quando critica, tira sarro ou diminui o outro. É por isso que sempre digo: se você não tem nada de produtivo ou bom para dizer fique quieto.

[Clarissa Corrêa]
Chico Xavier costumava ter em cima de sua cama uma placa escrita: Isso também passa. Sendo assim perguntaram para ele o porquê disso. E ele disse que era para se lembrar que quando estivesse passando por momentos ruins, mais cedo ou mais tarde eles iriam embora. Que iriam passar e que ele teria que passar por aquilo por algum motivo. Mas essa placa também era para lembrá-lo que quando estivesse muito feliz, não deixasse tudo para trás e não se deixasse levar, porque esses momentos também iriam passar e momentos difíceis também viriam de novo. E é exatamente disso que a vida é feita: Momentos. Momentos os quais temos que passar, sendo bons ou não para o nosso próprio aprendizado, por algum motivo, nunca esquecendo do mais importante: Nada é por acaso. Absolutamente nada.
Guarde suas expectativas. Ou se possível, não crie expectativas. Se você espera muito e nada acontece, você se decepciona. Se você espera nada e algo acontece, você se surpreende. Você vai perceber que tudo pelo qual você se preocupou foi apenas perda de tempo. Se der certo, você se preocupou com tudo à toa. Se der errado, você se preocupou com algo que nem valia a pena ter investido o seu tempo. Pare de criar expectativas, pare de se decepcionar e se surpreenda. (P. Bial)


segunda-feira, 7 de abril de 2014

K.C. & The Sunshine Band - Please Don't Go (Por Favor Não Vá)


Eu te amo, sim!

Querida, eu te amo tanto
Eu quero que você saiba
Que eu sentirei falta do seu amor
No momento que você passar por aquela porta

Então por favor não vá, não vá, não vá embora
Por favor não vá, não vá
Eu estou implorando pra você ficar

Se você partir pelo menos enquanto eu viver
Eu tive um sonho que se realizou
Eu fui abençoado para ser amado
Por alguém tão maravilhosa como você

Então por favor não vá, não vá, não vá embora
Por favor não vá, não vá
Eu estou implorando pra você ficar
Hey, Hey, Hey

Yeah

Querida, eu te amo tanto
Eu, eu quero que você saiba que eu sentirei falta do seu amor
No momento que você passar por aquela porta
Então por favor não vá, não vá, não vá embora
Hey, Hey, Hey eu preciso do seu amor
Eu estou de joelhos implorando: por favor, por favor, Por favor, não vá
Você não me ouve, querida?

Por favor não vá, não me deixe agora
Oh, não, não, não, não
Por favor não vá
Eu quero que você saiba que eu, eu, eu, te amo tanto
Não me deixe, querida por favor não vá.

Composição: Harry Wayne Casey/Richard Finch
Álbum: Do You Wanna Go Party
Data de lançamento: 1979

sábado, 5 de abril de 2014

Poema em linha reta

Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.

E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,
Indesculpavelmente sujo.
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;
Eu, que tenho sido cômico às criadas de hotel,
Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,
Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado
[sem pagar,
Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado
Para fora da possibilidade do soco;
Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.

Toda a gente que eu conheço e que fala comigo
Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho,
Nunca foi senão príncipe — todos eles príncipes — na vida…

Quem me dera ouvir de alguém a voz humana
Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia!
Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
Ó príncipes, meus irmãos,

Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?

Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra?

Poderão as mulheres não os terem amado,
Podem ter sido traídos — mas ridículos nunca!
E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,
Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?
Eu, que venho sido vil, literalmente vil,
Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.

"...É curioso como não sei dizer quem sou. Quer dizer, sei-o bem, mas não posso dizer. Sobretudo tenho medo de dizer porque no momento em que tento falar não só não exprimo o que sinto como o que sinto se transforma lentamente no que eu digo... Sou como você me vê. Posso ser leve como uma brisa ou forte como uma ventania, depende de quando e como você me vê passar. Não me deem fórmulas certas, porque eu não espero acertar sempre. Não me mostrem o que esperam de mim, porque vou seguir meu coração. Não me façam ser quem não sou. Não me convidem a ser igual, por que sinceramente sou diferente. Não sei amar pela metade. Não sei viver de mentira. Não sei voar de pés no chão. Sou sempre eu mesma, mas com certeza não serei a mesma pra sempre." (Clarice Lispector)

sexta-feira, 4 de abril de 2014

Eu torço pra não fazer Sol, eu torço pra não chover, eu torço para acordar no meio do dia, eu torço para o dia acabar logo. Eu torço para ter alguma coisa que me faça torcer, que me diga que eu ainda sei torcer por algo mesmo sem torcer pela gente. Minha dança é queda equilibrada, minhas roupas novas são fantasias, meu sorriso é espasmo de dor, minha caminhada reta é um círculo que sempre me traz até aqui, meu sono é cansaço de realidade, minha maquiagem é exagerada, meu silêncio é o grito mais alto que alguém já deu, minhas noites são clarões horríveis que me arregaçam o peito e nada pode me embalar e aquecer, o frio é interno, o incômodo é interno, nenhum lugar do mundo me conforta. Minha fome é sobrevivência, minha vontade é mecânica, minha beleza é esforço, meu brilho é choro, meus dias são pontes para os dias de verdade que virão quando essa dor acabar, meus segundos são sentidos em milésimos de segundos, o tempo simplesmente não passa. [Tati Bernardi]
Sempre existe no mundo uma pessoa que espera a outra, seja no meio do deserto, seja no meio das grandes cidades. e quando estas pessoas se cruzam, e seus olhos se encontram, todo o passado e todo o futuro perdem qualquer importância, e só existe aquele momento. — Paulo Coelho.   

Estou com sono, fome, tédio, calor e preguiça. Com saudades, é fato. A tristeza agora está sempre comigo, o desanimo então, nem se fala. Geralmente eu estou com tudo, menos com quem gostaria de estar.

E eu só queria estar com você. Nublez 
Me desliguei do mundo e quis ouvir o que toca em mim. É perturbador e só há dor. Gritos de saudade e arrependimentos são os mais tocados. Raramente ouço uma risada, não sei mais o que está em mim. Alma, coração e órgãos; isso é real? Sou um acumulo de nada… e esse vazio me pesa tanto. — Solideza. 

Hoje acordei com uma puta ressaca da vida, uma vontade insuportável de estar noutro lugar mas sem precisar sair de casa. Vagar meio assim sem ter onde, distanciar-me sem ter fim (sem sair de mim), fazendo a dança da chuva ou qualquer babaquice que me faça sentir mais jovem ou mais idiota, porque pra mim, baby, tudo tanto faz há tanto tempo que eu já nem sei mais o que é de fato relevante. — Cartas ao vento.
Minhas piadas, meu jeito de falar, até meu jeito de dançar ou de andar. Tudo é você. Eu sou mais você do que fui qualquer outra pessoa que passou pela minha vida. E eu sempre amei infinitamente mais a sua companhia do que qualquer companhia do mundo, mesmo eu nunca tendo demonstrado isso. — Tati Bernadi.

Tudo passa...


 O que fazer pra apagar da memória aquele sorriso que significa tudo pra você? Aquele sorriso que só de lembrar te faz sorrir também. Que enche teu peito de paz e alegria? Como fazer pra esquecer uma coisa que ficou gravada dentro de nós? — Nublez. 
"Que Deus lhe dê a graça de chegar ao lugar mais bonito que já é seu, mas que você ainda não conheceu porque precisa ir até lá."

Pe. Fábio de Melo


Britney Spears, 2003.
"Não é a vida que dificulta as coisas, as pessoas é que tem muito medo de mudar pra arriscar uma felicidade que não é garantida. Todo mundo tem um trauma, um medo, algo que paralise,  mas transformar isso em espaço pra crescer, pouca gente faz..." Marla de Queiroz