Queridos visitantes

segunda-feira, 30 de junho de 2014

''Ainda bem que nada nesta vida é definitivo. E que sempre podemos andar dois passos para trás e dez para a frente.'' (Clarissa Corrêa)
A vida é assim. O aprendizado é na prática. E a regra é simples: se não posso mudar os fatos, então deixo que os fatos me modifiquem. Quero o crescimento possível, a travessia que me é proposta. Porque ficar parado e lamentando a vida que não quero, é um jeito estranho de abandonar a vida que tanto desejo.
Pe. Fábio de Melo

domingo, 29 de junho de 2014

Não deixem de ler: NIETZSCHE PARA ESTRESSADOS - 99 doses de filosofia para despertar a mente e combater as preocupações, de Allan Percy, Ed. Sextante.

O indivíduo sempre lutou para não ser absorvido por sua tribo. Se fizer isso, você se verá sozinho com frequência e, às vezes, assustado. Mas o privilégio de ser você mesmo não tem preço. OS VERDADEIROS DESBRAVADORES devem estar sempre dispostos a percorrer sozinhos boa parte do caminho. Na vida, existem momentos para se andar em grupo – na escola ou na universidade, entre amigos, com seu parceiro – e momentos em que o indivíduo precisa ser capaz de tomar o próprio rumo no bosque das decisões. Quando passamos sozinhos por um trecho crucial, sentimos medo, pois temos que carregar toda a responsabilidade pelos nossos atos. Não há ninguém por perto a quem possamos culpar se algo der errado. E, no entanto, também nos sentimos cheios de coragem. Alguns viajantes comentam a sensação de força que experimenta aquele que se separa do grupo. Enquanto está com os demais, sua vontade se dilui. Mas, quando toma as próprias decisões, em silêncio, ele se sente senhor do seu destino. De repente, percebe que está extraordinariamente atento ao que acontece ao redor. Em algum momento você terá medo, mas a consciência de sua própria força será compensadora. Como dizia Nietzsche: “Ser independente é para poucos. É um privilégio dos fortes.”

(capítulo 23)
Eu acredito no poder da oração!

segunda-feira, 23 de junho de 2014

Todas as flores do futuro estão nas sementes de hoje. — Biscoitinho da sorte.  
''Porque o Senhor Deus é um sol e escudo; o Senhor dará graça e glória; não retirará bem algum aos que andam na retidão. Senhor dos Exércitos, bem-aventurado o homem que em ti põe a sua confiança.''

(Salmos 84:11-12)

“Talvez faça de tudo para arrumar a vida dos outros.“
“E ela? E as suas desordens? Quem vai pôr em ordem?”

(O Fabuloso Destino de Amélie Poulain)

quinta-feira, 19 de junho de 2014

Algumas pessoas se destacam para nós (…) Não importa quando as encontramos no nosso caminho. Parece que estão na nossa vida desde sempre e que mesmo depois dela permanecerão conosco. É tão rico compartilhar a jornada com elas que nos surpreende lembrar de que houve um tempo em que ainda não sabíamos que existiam. É até possível que tenhamos sentido saudade mesmo antes de conhecê-las. O que sentimos vibra além dos papéis, das afinidades, da roupa de gente que usam. Transcende a forma. Remete à essência. Toca o que a gente não vê. O que não passa. O que é (…) Com elas, o coração da gente descansa. Nós nos sentimos em casa, descalços, vestidos de nós mesmos. O afeto flui com facilidade rara. Somos aceitos, amados, bem-vindos, quando o tempo é de sol e quando o tempo é de chuva. Na expressão das nossas virtudes e na revelação das nossas limitações. Com elas, experimentamos mais nitidamente a dádiva da troca nesse longo caminho de aprendizado do amor.
Ana Jácomo
''Quando não há mais nada que possamos fazer para tentar modificar algumas circunstâncias, o que existe de mais confortável no mundo é a liberdade da entrega e a coragem da aceitação de que as coisas possam ser simplesmente como são.''
Ana Jácomo

sábado, 14 de junho de 2014


“O amor é uma máquina do tempo, e todo desejo, é desejo de voltar. E encontrar no amor as pessoas de quem gostávamos (...) mas não é só isso, querer voltar ao passado é querer transformar esse passado quantas vezes forem necessárias.”


[Morangos Mofados - CFA]
Lisbela e o Prisioneiro- 2003

Estilo Rihanna


TRANSFORMA-SE O AMADOR NA COUSA AMADA

Transforma-se o amador na cousa amada,
por virtude do muito imaginar;
não tenho logo mais que desejar,
pois em mim tenho a parte desejada.
Se nela está minha alma transformada,
que mais deseja o corpo de alcançar?
Em si somente pode descansar,
pois consigo tal alma está liada.
Mas esta linda e pura semideia,
que, como o acidente em seu sujeito,
assim co’a alma minha se conforma,
está no pensamento como ideia;
[e] o vivo e puro amor de que sou feito,
como matéria simples busca a forma.
Luís de Camões 

quinta-feira, 12 de junho de 2014

A verdade sobre o dia dos (e) namorados

A história começa em 1980, ano em que nasce um menino de olhos verdes e - meses depois, em outro extremo do estado - uma menina de pele clara. Mais de vinte e sete anos depois, o encontro. 
.
Ele e sua rinite se mudaram para a capital aos dezoito anos, sozinhos. Viveram e se viraram bem, obrigada, sozinhos. Ele era um apaixonado por propaganda, música, guitarra, contos eróticos, violão, blues, dias com muito sol, vinho, café com três colheres de açúcar, all star, livros, festas, pudim, cinema, amigos. Teve apenas um namoro sério - quando era adolescente -, aqueles de levar a pessoa em casa e apresentar para a família, almoçar aos sábados e conviver com os pais. Gostou de algumas pessoas, mas nunca se envolveu com ninguém em níveis mais profundos. Talvez porque as pessoas logo ficassem desinteressantes, talvez porque ele bloqueasse o próprio interesse. O certo é que ele não queria saber o motivo; tudo muda um dia, alguém disse. Um dia ele começou a ficar cansado de beijar muitas bocas, interagir com muitos corpos e não possuir nada, nada, nada além disso. Uma ou muitas noites, uma ou muitas mulheres, nenhum coração com a mão esticada, presa, grudada. 
.
Ela e sua rinite se mudaram para a capital aos seis anos, com a família. Viveram no colinho de mamãe e bem, obrigada. Ela era apaixonada por versos, letras, frases, Caio Fernando Abreu, tintas, cachorros, frio, bergamota, dias com muito sol, vinho, café com seis gotas de adoçante, all star, livros, chocolate, cinema, amigos, gente esquisita. Nunca teve aquele tipo de relacionamento considerado de verdade, aqueles de levar a pessoa em casa e apresentar para a família, almoçar aos sábados e conviver com os pais. Quando era adolescente gostava a cada hora de um moçoilo, se apegava e desapegava com uma facilidade tremenda. Até gostou de algumas pessoas, mas nunca se envolveu com ninguém em níveis mais profundos. Talvez porque, por pura proteção, se envolvesse sempre com o mesmo tipo de homem: complicado. Comprometidos, psicopatas, com oito filhos, cheios de cacoetes, com risadas de hiena manca, enrolados, divorciados, cafajestes em último grau, cafajestes em tratamento, cafajestes na condicional, cafajestes no corredor da morte, cafajestes sem solução, isso sem contar os preciso-de-uma-mãe-pra-tomar-conta-de-mim, os por-favor-vamos-fazer-terapia-todos-os-dias-sou-um-maluco-carente-cheio-de-problemas e os só-tô-sorrindo-pra-você-porque-quero-te-comer-gatinha. Um dia ela começou a ficar cansada de gostar de forma errada, de gostarem dela de uma forma não desejada. Então ela desistiu, pelo menos até aquele domingo à noite.
.
Há quem chame de coincidência, acaso, destino; há quem diga que certas coisas estão escritas, que o que tem que acontecer, querendo ou não, acontece. Prefiro dizer que, não importa se foi um motivo de força maior, superior, divina, se foi uma mãozinha de Deus, Buda, Alá meu bom Alá ou um empurrão das estrelas, cometas, alienígenas, gnomos, fadas, anjos, o que importa é que o encontro aconteceu. Não um encontro de olhos, mãos, bocas, braços, mas um encontro de corações cansados. De procurar sem achar, de achar só o que era descartavelmente vulgar.
.
Existia também o medo. Medo de se jogar de precipícios, o amor é renúncia. É preciso dar um tchau para a vida antiga, reciclar emoções, quem sabe rasgar velhos padrões de comportamento e pensamento. Medo de ser bom, pois somos burros, temos medo de fazer dar certo, de riscar a palavra sofrimento, desencantamento, desilusão do nosso dicionário sentimental. Medo de não ser quem o outro quer que sejamos, pois o mundo, meu amigo, é feito de máscaras, imagens, maquiagens, escovas, chapinhas e sou-bonita-assim-quando-acordo-que-nem-as-atrizes-da-novela-da-Globo. Medo de amar, pois o amor é uma incógnita, é preciso que ele entre e se instale para que você realmente perceba e sinta a presença dele. Medo de que tudo não passe de uma grande mentira, pois o mundo hoje em dia é repleto de gente enganadora, cínica e sem vergonha na alma.
.
A menina de pele branca se transformou em uma mulher sardenta, que teve todos os seus medos arremessados pela janela pelo menino de olhos verdes, que se transformou em um barbudo de cílios compridos e olhar cheio de sorrisos e pureza. Uma pureza de criança, uma sinceridade que ultrapassa a barreira da mesmice e do tenho-medo-de-dizer.
.
Faz algumas horas que meus olhos se encheram de lágrimas, não aquela lágrima amarga, mas uma lágrima diferente, quente, feliz. Li o texto lindo que você me escreveu, no mínimo, vinte e três vezes. Meu nariz ficou vermelho e, você sabe, chorei na quietude solitária, porém adocicada pelo calor que o que nós temos provoca lá dentro do coração. Não aquele calor passageiro, mas o calor que é silenciosamente acolhedor. Já que a data permite a pieguice excessiva, farei bom uso dela: há exatos oitenta e um dias eu tive a sorte de te encontrar - e, de alguma forma, me parabenizo por isso. Se o medo tivesse sido mais forte do que eu talvez nós não estivéssemos aqui, agora, juntos, unidos, felizes, achados, encontrados e perdidos no meio de um sentimento que, até então, eu desconhecia. E, que bom, eu fui valente. E, que bom, a tua valentia deu um chega pra lá nos pseudoreceios que foram surgindo e desaparecendo pelo meio do caminho. E, que bom, te amar faz com que você se ame mais. E, que bom, o teu amor faz com que eu me ame mais. Há quem diga que no-começo-é-tudo-lindo-assim, mas isso não importa: quem sabe da gente é a gente. E eu duvido que algum dia deixe de ser lindo, pois a nossa criatividade ultrapassa a barreira da beleza do início - seja lá o que isso queira dizer, ainda assim, eu digo que duvido.
.
.
Oitenta e uma vidas. Até que nada nos separe.
Feliz dia dos namorados.

terça-feira, 10 de junho de 2014

"Tem dia que a gente põe vírgula, tem dia que colocamos reticências, tem dia que colocamos ponto final e tem dia que temos a necessidade de virar a página." (Pe Fábio de Melo)

"Muitas vezes, as provações, são meios de Deus mostrar a fortaleza que nós mesmos não conhecíamos em nos!"

''Meu lado que sente frio'' por Clarissa Corrêa

Tem dias que é preciso vestir a roupa de adulto e atravessar a rua segurando bem forte a mão da vida. Não dá para se esconder ou fugir. Defino assim: crianças fogem, adultos encaram. Criança foge do escuro e acende a luz. Foge do medo e pula no colo da mãe. Foge do castigo e mostra a língua para o irmão, implicando. Adulto tem que encarar, a gente aprende desde cedo que fugir é feio, ruim. Fugir é infantil. Por isso, todo adulto é forçado a aguentar, dormir, acordar e continuar.
Acho que todo mundo precisa de esconderijo. Não fujo, mas vezenquando me escondo porque preciso da minha paz, preciso ler minhas frases silenciosas. Palavra pra mim é a coisa mais séria e bonita que existe. Preciso delas ao meu lado, sublinhadas. Tenho esse lado infantil de correr para o colo da mãe, acender a luz do corredor e não caminhar no escuro. Gosto da luz, do mundo claro. Em compensação, amo noites e estrelas.
Esqueci de crescer em um aspecto: sou muito boa para quem eu gosto. Para esses, o mundo. Amo abraços, dar presentes, fazer agrados, segurar a mão, o coração, segurar a barra. Quando eu gosto me entrego demais. Quem eu levo comigo, entenda, levo no peito, num duplex com vista para o mar. Mas nem todo mundo é santo, muito menos eu. Sei ser suja e má: por favor, não pague para ver. O preço é alto, eu faço birra, bato o pé, fico de bico. Fica escrito na minha cara: eu gosto/não gosto de você – não sei disfarçar.
Sou franca e falo o que penso, deve ser por isso que vivo com os joelhos roxos. A gente cai muito quando tem correndo nas veias a sinceridade. Nem sempre sei a hora de falar as coisas, em contrapartida nem sempre eu falo tudo. Será que você entende? Tenho medo de ferir com as palavras. Na verdade, morro de medo disso. Então, eu fico escondendo de você que às vezes faz um frio danado aqui dentro.

Você pode até me achar conformada ou fraca, mas algumas coisas resolvi deixar pra lá. Não entro mais em certas brigas, não emito opinião quando vejo que o negócio não vai dar em nada, não insisto no que vejo que não mudará um milímetro. Deposito minha energia, trabalho e força no que vejo que ainda tem sentido ou remédio. Aprendi, depois de muitas quedas, que certas coisas não mudam, que lutar por nada desgasta e que falar com as paredes é coisa de maluco. - Clarissa Corrêa

"Enquanto estiver vivo, sinta-se vivo. Se sentir saudades do que fazia, volte a fazê-lo. Não viva de fotografias amareladas. Continue, quando todos esperam que desistas. Não deixe que enferruje o ferro que existe em você. Faça com que em vez de pena, tenham respeito por você. Quando não conseguir correr através dos anos, trote. Quando não conseguir trotar, caminhe. Quando não conseguir caminhar, use uma bengala. Mas nunca se detenha."

(Madre Teresa de Calcutá)


"Essa lembrança que nos vem às vezes, folha súbita que tomba abrindo na memória a flor silenciosa de mil e uma pétalas concêntricas. Essa lembrança, mas de onde? de quem? Essa lembrança talvez nem seja nossa, mas de alguém que, pensando em nós, só possa mandar um eco do seu pensamento nessa mensagem pelos céus perdida… Ai! Tão perdida que nem se possa saber mais de quem!" Mário Quintana

quarta-feira, 4 de junho de 2014

"E é por isso que eu gosto tanto dele: porque ele é imprevisível. Espontâneo. Bonito, bonito, bonito e bonito até cansar e doer de um jeito bom. Eu olho pro sorriso dele e tento desordenadamente pensar. E penso: puta merda, agora eu tô fudida."


Eu perco o chão, eu não acho as palavras
Eu ando tão triste, eu ando pela sala
Eu perco a hora, eu chego no fim
Eu deixo a porta aberta
Eu não moro mais em mim

Eu perco a chaves de casa
Eu perco o freio
Estou em milhares de cacos, eu estou ao meio 
Onde será que você está agora?


(Adriana Calcanhoto)