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sábado, 19 de novembro de 2016


Mulheres comportadas, raramente fazem história. (Marilyn Monroe)

Nada pode ser mais nocivo que inflar as mentiras da personalidade, os embustes onde o ser real é massacrado pelos disfarces da conveniência

(Pe. Fábio de Melo)
Ser religioso não é garantia de retidão de caráter. Sob o manto da hipocrisia, muitos pretensos religiosos legitimam a crueldade no mundo. (Pe. Fábio de Melo)

Ódio is the black

A internet deu vazão a um prazer socialmente condenável: a maledicência. Como o amor, a fofoca une e gera identificação entre quem divide uma piada, um comentário venenoso sobre um desafeto. “Falou mal de que eu detesto, já simpatizo!”. Não é essa frase que pipoca por aí? Na web, todos se sentem protegidos pela distância física e, muitas vezes, pela garantia de ter a identidade preservada para dizer o que quiser sobre alguém. O argumento dos haters é um só: quem se expõe precisa aguentar as críticas. Besteira. Primeiro, críticas é o que menos vemos nas redes sociais. O que presenciamos por lá é uma enxurrada de declarações raivosas e desrespeitosas que nada acrescentam. Segundo, nossa exposição é diária. Ao sairmos de casa, já estamos nos expondo. Mas nas ruas ninguém é corajoso para apontar o outro e dizer: “Você é cafona”, “Olha esse cabelo ridículo”, “Emagrece, sua gorda!”. Expressar o ódio assim seria mal visto. Na internet, também deveria pegar mal, mas por lá, há um público que aplaude, incentiva esse tipo de comportamento e se deleita ao ver alguém sendo perseguido seja por ser famoso, rico, bonito ou popular. Insatisfeitos com a própria existência, os haters disparam ofensas, apontam defeitos, tentam impor um padrão de comportamento, de beleza, de moda que eles mesmos não se enquadram. Detonar o outro é um grito desesperado por atenção que revela uma vida vazia e sem graça. Se a rotina alheia lhe interessa mais que a suas próprias atividades, algo está muito errado. Ninguém foi nomeado fiscal de redes sociais para ficar cuidando das postagens alheias, muito menos para ditar o que é certo, o que é errado, o que é bonito, o que é feio, o que é cafona e o que não é, numa tentativa de diminuir o outro. No fundo, os haters gostariam de ter o sucesso e a repercussão de seus alvos, viver a vida dessas pessoas, mas não conseguem superar a própria mediocridade porque estão ocupados demais em perseguir o outro. Os haters merecem o que eles mais prezam: o anonimato. Ignorá-los é a saída. Afinal, se eles não se preocupam com a própria existência por que nós vamos nos preocupar com que eles fazem ou dizem?
  
Via Blog Diego Sfoggia



terça-feira, 1 de novembro de 2016

Dormência no sentir por Driquíssima Dias.


Há uma certa dormência no sentir. É como se houvesse um vácuo dentro de mim. É como se eu estivesse sentada na profundidade de mim mesma assistindo pela janela meu corpo levantar, falar, às vezes rir, dançar e socializar. Mas frequentemente eu não consigo levantar, há um eterno cansaço que acompanha meu corpo e minha alma e faz com que me sinta incapaz de agir vivamente. Esse cansaço me faz caminhar lentamente pelas ruas, como se fosse impossível acelerar o passo, mesmo que o sol escaldante sobre minha cabeça diga que andar rápido seja mais sensato, eu não consigo. 
Depressão não é somente a tristeza e o vazio que nos encobre a alma, o corpo também sente o peso. O corpo também dói, mas tudo é invisível, tudo é só o sentir. Vazio e cansaço. Tristeza e dores, mesmo sorrindo, mesmo bebendo, mesmo dançando. É como um avião no modo automático ou um carro na banguela.


Há tanto tempo me sinto assim. 
Só agora consigo falar.


(Driquíssima Dias)

Depressão por Driquíssima Dias

Depressão é uma doença que deixa um gosto estranho na boca, um gosto de vazio. A gente come, bebe água, café, suco, cerveja, vinho e o gosto continua lá. A gente escova os dentes, usa enxaguante bucal, chiclete de hortelã e o gosto continua lá." Isso é falta de exercício físico", dizem, então vai fazer caminhada, academia, pilates, boxe, capoeira, corrida, natação, trilha, bicicleta.. mas o gosto continua lá. "Você tem que sair de casa!" a gente sai, viaja, vai pro bar, vai pra festa, dança, canta, pula.. mas o gosto continua lá; "ah, é falta de um hobbie, precisa ocupar a mente", então a gente ouve música, lê um livro, vê filme, vê vídeo de gatinhos fofos no Youtube, aprende receitas novas, escreve poesia torta... e o gosto ainda continua lá; reúne amigos, faz comidinhas, toma vinho, dá conselhos, ouve conselhos.. e gosto do vazio permanece; "tem que cuidar do seu espiritual", vai pro centro, vai pra igreja, vai pro terreiro, ouve mantra.. e o gosto continua lá... Aos poucos esse gosto de vazio vai engolindo a boca, o peito e a cabeça, a gente começa a questionar o sentido da vida, da existência humana e tudo começa a se mostrar tão ínfimo e a humanidade tão ridícula e egoísta com suas guerras, o vil metal, as hierarquias.. e a gente olha pro céu e vê que estamos mergulhad@s num infinito e somos tão nada diante daquilo que vemos e não conhecemos... o vazio começar a doer em todo seu corpo... a angústia acompanha dia e noite e não mais existir passa a ser uma possibilidade que acabe com esse gosto de vazio na boca... e tudo ao redor passa a perder o sabor: os pratos salgados não tem sal, os pratos doces não tem açúcar, o limão não tem seu azedume, o perfume não tem cheiro, a musica não tem som, o filme não tem imagem, os livros não dizem nada... tudo ao redor parece desbotar feito uma fotografia antiga sob o sol... o corpo fica pesado, se arrasta lento pelos dias... tomar banho, escovar os dentes, lavar louça, limpar a casa parece não mais ser tão importante e a gente passa a protelar o auto cuidado... não tem apetite nem sede nem sono e a gente começa a perder peso... aquele gosto de vazio na boca dá um cansaço que não deixa a gente levantar da cama e sair de casa parece ser a pior opção...e vem o pânico que tranca as portas e quando a gente ousa sair, se desespera, quer vomitar, quer sair dali, quer voltar pra casa e deitar e ficar deitada até nunca mais... o sorriso de antes murcha feito uma boca sem dentadura.. é que o vazio cresce e começa a querer engolir tudo dentro da gente... A gente então assume que está doente de uma doença silenciosa e ainda incompreendida... e pessoas perguntam porque você ficou assim ou dizem pra tirar isso da cabeça; insultam dizendo que é preguiça, irresponsabilidade, vitimismo, drama, joguinho e que isso é ridículo... mas quem diabos vai escolher adoecer? perguntam/dizem esse tipo de coisa a quem está com câncer ou aneurisma? Mas a gente resiste ao vazio... e resiste porque está envolta em uma rede linda de amor & cuidado: a família, as amigas, os amigos, até mesmo pessoas que não são tão próximas estão ali, tentado colorir os dias desbotados... e a gente entende que precisa viver melhor e precisa de ajuda... procura psiquiatra e psicolog@ e aí começa a trilhar um longo caminho em busca do entendimento dos mistérios de mente e do reencontro com o gosto bom da vida na boca. (Driquíssima Dias)