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sábado, 19 de novembro de 2016

Ódio is the black

A internet deu vazão a um prazer socialmente condenável: a maledicência. Como o amor, a fofoca une e gera identificação entre quem divide uma piada, um comentário venenoso sobre um desafeto. “Falou mal de que eu detesto, já simpatizo!”. Não é essa frase que pipoca por aí? Na web, todos se sentem protegidos pela distância física e, muitas vezes, pela garantia de ter a identidade preservada para dizer o que quiser sobre alguém. O argumento dos haters é um só: quem se expõe precisa aguentar as críticas. Besteira. Primeiro, críticas é o que menos vemos nas redes sociais. O que presenciamos por lá é uma enxurrada de declarações raivosas e desrespeitosas que nada acrescentam. Segundo, nossa exposição é diária. Ao sairmos de casa, já estamos nos expondo. Mas nas ruas ninguém é corajoso para apontar o outro e dizer: “Você é cafona”, “Olha esse cabelo ridículo”, “Emagrece, sua gorda!”. Expressar o ódio assim seria mal visto. Na internet, também deveria pegar mal, mas por lá, há um público que aplaude, incentiva esse tipo de comportamento e se deleita ao ver alguém sendo perseguido seja por ser famoso, rico, bonito ou popular. Insatisfeitos com a própria existência, os haters disparam ofensas, apontam defeitos, tentam impor um padrão de comportamento, de beleza, de moda que eles mesmos não se enquadram. Detonar o outro é um grito desesperado por atenção que revela uma vida vazia e sem graça. Se a rotina alheia lhe interessa mais que a suas próprias atividades, algo está muito errado. Ninguém foi nomeado fiscal de redes sociais para ficar cuidando das postagens alheias, muito menos para ditar o que é certo, o que é errado, o que é bonito, o que é feio, o que é cafona e o que não é, numa tentativa de diminuir o outro. No fundo, os haters gostariam de ter o sucesso e a repercussão de seus alvos, viver a vida dessas pessoas, mas não conseguem superar a própria mediocridade porque estão ocupados demais em perseguir o outro. Os haters merecem o que eles mais prezam: o anonimato. Ignorá-los é a saída. Afinal, se eles não se preocupam com a própria existência por que nós vamos nos preocupar com que eles fazem ou dizem?
  
Via Blog Diego Sfoggia



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