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domingo, 20 de maio de 2018

Drácula de Bram Stoker, 1992.
Uma coisa é certa: nós sabemos quem somos, mas os outros nos imaginam. No ato de imaginar, o outro constrói a pessoa ideal, e essa pessoa ideal não existe, pois o próprio conceito já diz. Ideal só existe na ideia. Não existe pessoa "ideal" , mas sim pessoa "certa''. A pessoa certa condensa defeitos e qualidades, e a somatória de tudo resulta uma realidade pela qual o outro se apaixona. (Padre Fábio de Melo)

A inutilidade e o amor

''Ter que ser útil pra alguém é uma coisa muito cansativa. É interessante você saber fazer as coisas, mas acredito que a utilidade é um território muito perigoso porque, muitas vezes, a gente acha que o outro gosta da gente, mas não. Ele está interessado naquilo que a gente faz por ele. E é por isso que a velhice é esse tempo em que passa a utilidade e aí fica só o seu significado como pessoa. Eu acho que é um momento que a gente purifica, né? É o momento em que a gente vai ter a oportunidade de saber quem nos ama de verdade. Porque só nos ama, só vai ficar até o fim, aquele que, depois da nossa utilidade, descobrir o nosso significado. Por isso eu sempre peço a Deus para poder envelhecer ao lado das pessoas que me amem. Aquelas pessoas que possam me proporcionar a tranquilidade de ser inútil, mas ao mesmo tempo, sem perder o valor. Quero ter ao meu lado alguém que saiba acolher a minha inutilidade. Alguém que olhe pra mim assim, que possa saber que eu não servirei pra muita coisa, mas que continuarei tendo meu valor. Porque a vida é assim, fique esperto, viu? Se você quiser saber se o outro te ama de verdade é só identificar se ele seria capaz de tolerar a sua inutilidade. Quer saber se você ama alguém? Pergunte a si mesmo: quem nessa vida já pode ficar inútil pra você sem que você sinta o desejo de jogá-lo fora? É assim que descobrimos o significado do amor. Só o amor nos dá condições de cuidar do outro até o fim. Por isso eu digo: feliz aquele que tem ao final da vida, a graça de ser olhado nos olhos e ouvir do outro: "você não serve pra nada, mas eu não sei viver sem você".

Padre Fábio de Melo

quinta-feira, 10 de maio de 2018

As nossas escolhas...

''Nem sempre nós escolhemos estar nos caminhos iluminados. De vez em quando por causa da fragilidade que existe em nós pegamos alguns atalhos, vamos por eles e de repente descobrimos que não está valendo a pena estar lá onde a gente estar, vivendo com a gente está vivendo e sendo como a gente é. Não pode haver insatisfação maior, minha gente, na vida ser quem a gente não gostaria de ser. Viver essa inadequação existencial de não alcançar da vida aquilo que verdadeiramente podemos alcançar. Assim como estava aquela mulher perdida no meio da multidão, acostumada aos gritos da condenação. Aquela mulher algum momento da vida errou. Assim como eu erro e assim como você erra. E o que aconteceu? Ela se transformou no próprio erro. Uma coisa é errar. Outra coisa é a gente se transformar no erro cometido, isto é grave. Aí gera aquela inadequação, aquela insatisfação, aquela percepção, aquela consciência que vem de que você não está sendo o ser humano que você poderia ser. O encontro com Jesus fez com que aquela mulher pudesse redescobrir quem ela era. Porque, embora tenha vivido um passado de erros, embora tenha vivido muitas escolhas erradas, nada, nenhum pecado, nenhum erro foi capaz de ofuscar dentro daquela mulher quem ela era. Ela só estava esquecida de quem era. De vez em quando acontece a mesma coisa com a gente. A gente se esquece de quem a gente é. (...) Ao invés de ser quem você é, o ser humano que você pode ser, escolheu ser uma caricatura qualquer, vestido de sombras. (...) Descobrir o amor de Deus na nossa vida, descobrir essa chama que não se apaga é a gente redescobrir mais uma vez, a gente realimentar dentro de nós essa identidade de sermos filhos do sol, da luz e do céu. Você fez essa transição, de filho do sol a filho do céu. Não se esqueça disso. Nunca permita que a sua luz se apague. Se por acaso na sua vida você tem sentido que a sua luz está perdendo o brilho por causa dos acontecimentos, por causa das dificuldades que são próprias de todos nós, ouse levantar-se. Da mesma maneira como aquela mulher levantou-se no meio da multidão e reassumiu a própria historia. A luz de um novo tempo. A luz de um novo sol que brilhava nos olhos de Jesus (…)” (Padre Fabio de Melo)